
Tribuna do Norte - Ricardo Araújo Repórter
O projeto de recuperação da pecuária leiteira do Rio Grande do Norte depende de aproximadamente R$ 14,5 milhões para ser executado. O documento, apresentado ontem pela Câmara Técnica Setorial do Leite (Tecleite) a produtores, empresas de beneficiamento e políticos, esmiúça o cenário produtivo de leite e derivados e detalha o que pode ser feito para que o setor retome força e produza em escala maior. Até hoje, porém, nenhuma entidade pública ou privada, garantiu o financiamento parcial ou total do conjunto de ideias cujo período de execução planejado é de quatro anos.
“Nós temos uma proposta para a pecuária leiteira discutida a muitas mãos. Esta é uma proposta que nós não temos financiadores definidos, ainda”, disse o presidente da Tecleite, Acácio Brito, responsável pela apresentação do projeto. Ele destacou que, no Rio Grande do Norte, todas as cidades produzem leite, mesmo que em pequena escala.
O projeto tem como objetivo solidificar a cadeia produtiva leiteira no estado através de ações de mercado, inovação, tecnologia, formalização de Unidades de Beneficiamento de Leite (UBL´s), prestação de assistência técnica a produtores e implementar melhorias no ambiente institucional e governança.
Conforme dados apresentados pela Tecleite, a produção de leite no Rio Grande do Norte apresenta um declínio que se acentua com o passar dos anos. Em 2011, a ordenha foi de 666.436 litros por dia. No ano seguinte, caiu para 542.608 litros. Atualmente, a produção auferida pelos órgãos de fiscalização do setor não supera os 130 mil litros diários. Numa proporção inversamente proporcional, o valor do litro pago aos produtores caiu de R$ 1,20 para R$ 0,80.
Programa
O maior comprador de leite beneficiado, comprometendo 80% da produção, chegou a ser o Governo do Estado, que o aplica no Programa do Leite.
A distribuição do laticínio, inclusive, foi tema de discussão na apresentação do projeto de recuperação da pecuária leiteira. O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) relembrou a criação do Programa do Leite, os benefícios para a população de baixa renda, mas ressaltou que os produtores não podem ser “reféns” do Governo do Estado. Historicamente, os produtores enfrentam atrasos nos repasses e pelo menos 10 indústrias já encerraram suas atividades no estado, falidas.
“É um setor que precisa do incentivo do Governo do Estado. Há uma crise provocada pela falta de pagamento regular e o Governo Federal não assumiu nenhuma contrapartida”, comentou o senador Garibaldi Alves Filho.
O presidente da Tecleite destacou que o Programa do Leite é uma âncora para o setor produtivo, mas os empresários não podem esperar somente do Governo do Estado para manterem as empresas em funcionamento. “O Programa do Leite precisa passar por uma reformulação para atender, de fato, quem precisa”, frisou Acácio Brito.
Apesar da apresentação do projeto ter ocorrido num momento de mudanças políticas no Rio Grande do Norte, com a assunção de um novo governador ao poder, nem ele nem um dos seus representantes compareceu ao evento. “Precisamos fazer políticas mais focadas para o setor. Tem sido muito duro, muito penoso. Precisamos aproveitar esse novo momento político”, disse Acácio Brito.
A governadora Rosalba Ciarlini não foi ao lançamento do projeto, também não encaminhou representação. Mesmo lançado, o projeto precisa ser assumido financeiramente por entidades públicas e/ou privadas para que seja executado.